Quatro pessoas foram detidas pela polícia venezuelana quando praticavam “magia negra” com ossadas humanas, numa casa onde existiam vários “altares” com imagens de Santa Bárbara e das “côrtes” negra, índia e viking usadas na santaria.
As detenções foram feitas por oficiais do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (Cicpc, a antiga Polícia Técnica Judiciária) no sector Negro Primeiro do bairro de La Pastora, nas proximidades do centro de Caracas, quando as quatro pessoas, entre elas uma mulher e um adolescente, vestidas de branco, rodeavam, em ritual, um esqueleto humano sem pés nem mãos e com quatro orifícios de bala no crânio.
Segundo fontes policiais, as detenções ocorreram na sequência de duas dezenas de denúncias sobre profanação de túmulos, tendo a ossada humana sido extraída do Cemitério Geral do Sul (Oeste de Caracas) com a cumplicidade de cinco trabalhadores que teriam recebido entre 10 e 20 euros cada para extrair os restos das sepulturas.
As autoridades vão realizar exames forenses odontológicos e antropológicos à ossada para identificá-la e fazê-la regressar ao túmulo de onde foi retirada.
Na Venezuela, a profanação de túmulos é penalizada com três a 15 meses de prisão.
A santaria, ou caminho dos santos, é um sistema religioso que reúne santos católicos com a religião Youruba, (também chamada Iorubá) praticada por descendentes de escravos africanos, cubanos e brasileiros.
Surgiu da proibição imposta pelos espanhóis aos escravos de praticarem rituais animistas da África Ocidental, que entendiam ser manifestações dos seus deuses que transferiram para imagens de santos, fazendo os proprietários crer que se teriam convertido ao cristianismo.
Alguns dos ramos da santaria permitem o sacrifício de animais e invocações cantadas de seres espirituais. |