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Sanções ao Irã: "É preciso acalmar os ânimos", diz Lula. Enviar por e-mail Imprimir esta notícia Receber por RSS
10/03/2010 00:00:16

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira, em entrevista à agência de notícias Associated Press, que a imposição de sanções contra o Irã devido ao seu programa nuclear podem levar a uma guerra, e que o Brasil se esforça para evitar novos conflitos.

Na entrevista à AP, Lula disse que mais sanções podem minar as negociações com Teerã. "Nós não queremos repetir no Irã o que aconteceu no Iraque. Não é prudente para o mundo e não é prudente para o Irã", disse Lula, uma semana depois de rejeitar o apelo da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pelo apoio do Brasil à nova rodada de sanções.

Lula disse ainda que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, deve retornar às negociações para diminuir o receio em torno do programa nuclear. O líder do Irã visitou o Brasil no ano passado e encontrou-se com Lula, gerando críticas dos Estados Unidos.

"Eu já disse anteriormente que uma guerra deve ser evitada a qualquer custo. A quem interessa uma guerra?", questionou Lula.

O presidente citou ainda as estagnadas negociações de paz no Oriente Médio como prova de que as potências tradicionais não demonstram capacidade para resolver seus problemas.

"Quem decidiu que os EUA, a França, a Inglaterra, a China e a Rússia representam as aspirações coletivas de nosso planeta, da geopolítica, da nova ordem mundial, com nações que eram pobres, mas que hoje passam por extraordinário crescimento econômico?", questionou Lula, que defende uma vaga permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU.


BRASIL

Lula disse ainda que o Brasil tem "autoridade moral e política" para discutir a questão do programa iraniano, porque está "comprometido com o uso de energia para fins pacíficos".

"Aqui [no Brasil], nós falamos de paz, não de guerra", disse Lula. "O que estamos tentando mostrar aos outros é que é hora de dialogar. Não é hora de sanções, mas de diálogo".

No entanto, Lula demonstrou que o Brasil pode mudar de ideia em relação às sanções.

"Se o presidente do Irã não concordar com o Brasil, tomaremos nossas decisões com base no que foi discutido", disse.

Ele também criticou Ahmadinejad por questionar o Holocausto e defender a destruição de Israel, mas sugeriu que as tensões políticas são a causa de tais declarações polêmicas.

"É impossível imaginar que alguém diga que não houve Holocausto, ou aceitar alguém que queira acabar com outro país. Todas essas coisas vêm à tona porque a situação está muito radicalizada, é preciso acalmar os ânimos", disse.

Lula deve ir a Oriente Médio nessa semana, onde passará por Israel, Jordânia e pela Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Fonte: FOLHA ONLINE

"As noticias aqui publicadas não reproduzem necessariamente a opinião do site".

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